Day em Tóquio: A verdadeira história de Hachiko, o cão fiel!

“O cachorro é o melhor amigo do homem”! Quem duvida desse ditado com certeza não assistiu o filme “Hachiko Monogatari” (Japão 1987) ou o remake americano estrelado por Richard Gere “Sempre ao seu lado” (EUA, 2009).

Eu sou apaixonada por cachorros e não poderia vir ao Japão e não ir conhecer o famoso Hachiko, o cão fiel! Ele foi um cão da raça Akita, e ficou conhecido por sua amizade e lealdade a seu dono, o professor universitário Hidesaburo Ueno.

-> Atenção! Esse post é bastante longo, mas emocionante! Pode preparar os lencinhos de papel antes de começar a lê-lo!

Cena do filme "Sempre ao seu lado". - Imagem da internet.

Cena do filme “Sempre ao seu lado”. – Imagem da internet.

A verdadeira história de Hashiko!

Hachi ou Hachiko (no diminutivo) nasceu em 10 de novembro de 1923, na província de Akita, no Japão, e  no ano seguinte foi adotado pelo professor  Ueno, que o trouxe para Tóquio. O cão seguia o professor Ueno a todos os lugares, inclusive acompanhando-o à estação de trem de Shibuya todas as manhãs, e para onde voltava no final do dia para retornarem juntos para casa. Eles se tornaram companheiros inseparáveis e repetiam essa rota todos os dias, até que um dia, em 21 de Maio de 1925, Ueno foi trabalhar e não retornou. Ele havia sofrido um AVC durante uma reunião de corpo docente na universidade, e Hachiko, sem saber do ocorrido, continuou esperando por seu dono na estação. Ele tinha 18 meses nessa época.

O verdadeiro Hachiko! - Imagem da internet.

O verdadeiro Hachiko! – Imagem da internet.

Dizem que na noite do velório, Hachiko, que estava no jardim, quebrou as portas de vidro da casa e correu para a sala onde o corpo do professor foi colocado e passou a noite deitado ao lado de seu mestre, recusando-se a ceder. Quando chegou a hora de colocar vários objetos particularmente amados pelo falecido no caixão com o corpo, Hachiko pulou dentro do caixão e tentou resistir a todas as tentativas de removê-lo.

Depois que o professor morreu, a Senhora Ueno deu Hachiko para alguns parentes que moravam em Asakusa, no leste de Tóquio. Mas ele fugiu várias vezes e voltou para a casa em Shibuya. Um ano se passou e ele ainda não havia se acostumado à nova casa, então foi dado ao ex-jardineiro da família que o conhecia desde que ele era um filhote. Mas Hachiko continuava a fugir, aparecendo frequentemente em sua antiga casa. Depois de certo tempo, ele se deu conta de que o professor Ueno não morava mais ali, então resolveu esperar em seu antigo ponto de encontro, em frente à estação de trem de Shibuya.

Hachiko na estação de Shibuya! - Imagem da internet.

Hachiko na estação de Shibuya! – Imagem da internet.

Ele voltava pontualmente no mesmo horário que parava o trem que antes trazia o seu dono. Sentava-se à frente da saída e o esperava surgir entre as centenas de pessoas que saíam dos vagões. Os dias foram passando, viraram semanas, meses e anos. Alguns passageiros, que já o conheciam por tê-lo visto na companhia do professor Ueno, foram tocados pela devoção de Hachiko e passaram a trazer alimento para consolar a espera que nunca teria fim.

Em 1929, Hachiko contraiu um caso grave de sarna, que quase o matou. Devido aos anos passados nas ruas, ele estava magro e com feridas das brigas com outros cães. Uma de suas orelhas já não se levantava mais, e ele já estava com uma aparência miserável, não parecendo mais com a criatura orgulhosa e forte que tinha sido uma vez.

Hachiko! - Imagem da internet.

Hachiko! – Imagem da internet.

Um dos fiéis alunos de Ueno havia visto o cachorro na estação e o seguiu até a residência dos Kobayashi, onde aprendeu a história da vida de Hachiko. Coincidentemente o aluno era um pesquisador da raça Akita, e logo após seu encontro com Hachiko, publicou um censo de Akitas no Japão. Na época haviam apenas 30 Akitas puro-sangue restantes no país, incluindo Hachiko da estação de Shibuya. O antigo aluno do Professor Ueno retornou frequentemente para visitar o cachorro e durante muitos anos publicou diversos artigos sobre a marcante lealdade de Hachiko.

Em 1932 um desses artigos, publicado num dos maiores jornais de Tóquio, colocou o cachorro em evidência. Hachiko se tornou sensação nacional! Sua devoção à memória de seu mestre impressionou o povo japonês e se tornou modelo de dedicação à memória da família. Pais e professores usavam Hachiko como exemplo para educar crianças.

A fama repentina de Hachiko fez pouca diferença para a sua vida, pois ele continuou exatamente da mesma maneira como antes e, por quase 10 anos, o leal cãozinho apareceu na estação de trem todas as tardes, às quatro horas, até que na madrugada de 08 de março de 1934, Hachiko que já estava com quase 12 anos, foi encontrado morto no mesmo local, onde passara tantas horas à espera de seu mestre. A duração total de seu tempo de espera foi de nove anos e dez meses.

A última fotografia de Hachiko, no seu velório. Na foto está a familia do professor Ueno. - Imagem da internet.

A última fotografia de Hachiko, no seu velório. Na foto está a familia do professor Ueno. – Imagem da internet.

A morte de Hachiko estampou as primeiras páginas dos principais jornais japoneses e muitas pessoas ficaram inconsoláveis com a notícia. Um dia de luto foi declarado. Seus ossos foram enterrados em um canto da sepultura do professor Ueno, para que ele finalmente se reencontrasse com o mestre a quem ele havia ansiado por tantos anos. Sua pele foi preservada e uma figura empalhada de Hachiko pode ser vista no Museu Nacional de Ciências em Ueno.

Hachiko, no Museu de Natureza e Ciências de Tóquio! - Imagem Daiane Veiga.

Hachiko, no Museu de Natureza e Ciências de Tóquio! – Imagem Daiane Veiga.

Em 21 de abril de 1934, uma estátua de bronze de Hachikō, esculpida pelo renomado escultor Tern Ando, foi erguida em frente ao portão de bilheteria da estação de Shibuya, com um poema gravado em um cartaz intitulado “Linhas para um cão leal”. A cerimônia de inauguração foi uma grande ocasião, com a participação do neto do professor Ueno e uma multidão de pessoas. A fama de Hachiko se espalhou e a raça Akita cresceu em popularidade, tanto que todos os anos ocorre uma cerimônia solene na estação de trem de Shibuya onde centenas de amantes de cães se reúnem em homenagem à lealdade e devoção de Hachiko.

Porém, mais tarde, a figura e lenda de Hachikō foi distorcida e usada como símbolo de lealdade ao Estado, aparecendo em propagandas que difundiam o fanatismo nacionalista que acabaram levando o país à Segunda Guerra Sino-Japonesa, no final da década de 1930 e também à Segunda Guerra Mundial. Lamentavelmente, a primeira estátua foi removida e derretida para armamentos durante a Segunda Guerra Mundial, em abril de 1944. No entanto, em 1948 uma réplica foi feita por Takeshi Ando, filho do escultor original, e reintegrada no mesmo lugar da anterior. Esta é a estátua que está, ainda hoje, na Estação de Shibuya e é um ponto de encontro extremamente famoso e popular em Tóquio.

Estátua de Hachikona estação de Shibuya! - Imagem Daiane Veiga.

Estátua de Hachikona estação de Shibuya! – Imagem Daiane Veiga.

Curiosidades!

No Japão, uma estatueta de Akita é considerado um amuleto de boa sorte.

Quando uma criança nasce, a família recebe uma estatueta de Akita como desejo de saúde, felicidade e vida longa. Quando há alguém doente, amigos dão ao enfermo esta estatueta, desejando uma rápida recuperação.

O cão Akita se tornou Patrimônio Nacional do povo japonês e a sua exportação é proibida!

Se algum proprietário não tiver condições financeiras de manter seu cão, o governo japonês assume sua guarda.

No dia 8 de março de 2015 fez 80 anos desde que Hachiko morreu. Para homenageá-lo, alunos da Faculdade de Agricultura da Universidade de Tóquio, onde o professor Ueno trabalhava, fizeram uma estátua representando o reencontro dos dois.

Hachiko e Ueno: amor e o companheirismo que nem o tempo foi capaz de abalar! - Imagem da internet.

Hachiko e Ueno: amor e o companheirismo que nem o tempo foi capaz de abalar! – Imagem da internet.

Beijos!

Day ❤

*Textos e informações retirados da Wikipedia.

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4 comentários sobre “Day em Tóquio: A verdadeira história de Hachiko, o cão fiel!

  1. Pingback: Day em Tóquio: Harajuku, Omotesando e Shibuya! | Lady Day

  2. Pingback: Day no Japão: O maravilhoso Parque Ueno! | Lady Day

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